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PORTUGAL É O SEGUNDO MAIOR EXPORTADOR MUNDIAL DE CARNE DE TUBARÃO

Por minuto, 192 tubarões e raias são pescados por todo o mundo, numa rede de comércio complexa que ameaça a sobrevivência destas espécies e a boa saúde dos oceanos. Num mapa interativo que ilustra as rotas e volumes transacionados da carne e barbatanas de tubarão e de raia a nível mundial, a ONG de conservação da natureza alerta para o impacto causado por Portugal na exportação e reexportação de carne de tubarão e raia, e a necessidade de melhorar a informação sobre este comércio.

Em antecipação ao Dia Mundial dos Oceanos, celebrado a 8 de junho, a ANP|WWF revela que Portugal é o 2.º país a nível mundial com maiores exportações conhecidas de carne de tubarão e o 6.º maior importador de carne de raia em termos de volume. A ONG ambiental lança assim um mapa interativo que mostra a sobre-exploração, as rotas de comércio global dos principais produtos à base de tubarões e raias (carne e barbatanas), e o impacto causado pelo nosso país no estabelecimento de pontes comerciais entre grandes importadores e exportadores, como o Brasil, Itália, Espanha e Namíbia.
 
“O comércio mundial à base de tubarões e raias está a esgotar estas espécies, e movimenta mais de 4 mil milhões de dólares anualmente, envolvendo mais de 190 países ou territórios. O valor resultante do comércio de carne de tubarão e raia é atualmente quase o dobro do valor do comércio das suas barbatanas, apesar destas terem muito mais atenção mediática”, partilhou Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF, que acrescentou que “este comércio é pouco regulado, não transparente e perpetua a exploração destas espécies de uma forma pouco saudável para elas e para nós, já que o equilíbrio do ecossistema depende em larga escala delas”.
 
Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal no que toca a tubarões e raias: 95% das importações de carne de raia vêm de Espanha e 75% das exportações de Portugal de carne de tubarão vão para Espanha. Para Ana Henriques, especialista em Oceanos e Pescas na mesma ONG, “implementar medidas para a proteção dos tubarões e raias em Portugal tem o potencial para afetar toda a rede comercial global, o que justifica a criação de um Plano de Ação Nacional para a Gestão e Conservação dos Tubarões e Raias, que colocaria Portugal na liderança europeia da proteção destas espécies, dando o exemplo a outros países europeus importantes no comércio, como é o caso de Espanha e Itália, para que reforcem e melhorem a proteção a estas espécies tanto ao nível da pesca como do seu comércio”.
  
Apesar do papel desempenhado pelo nosso país ser maioritariamente de exportação, principalmente no que toca a tubarões, a ANP|WWF alerta ainda que o consumo também acontece em Portugal, muitas vezes de forma escondida. Para o demonstrar, a ONG criou um guia de consumo que refere as dezenas de pratos gastronómicos à base de tubarões e raias que estão a ser consumidos em Portugal, e os nomes comerciais mais comuns que, principalmente em relação aos tubarões, não permitem identificar diretamente a espécie consumida (como por exemplo, cação, tintureira, e pata-roxa). Além da gastronomia, os produtos à base de tubarão e raia (que são extraídos de diferentes partes do corpo) têm aplicações na cosmética, farmácia, alimentação animal, suplementos alimentares, uso industrial, produtos decorativos, entre outros.
 
Este trabalho vem no seguimento do lançamento do relatório Guardiões do Oceano em Crise, em 2021, onde a ONG apontava para a necessidade de adoção de medidas que minimizem as principais ameaças, a nível da pesca e comércio, assim como de reforçar questões de governança, por exemplo, melhorando a monitorização e controlo da pesca, e implementando boas práticas a bordo que melhorem a sobrevivência dos indivíduos libertados ao mar. Desde esse relatório, o anterior executivo deu início à criação de um Plano de Ação Nacional de Gestão e Conservação de Tubarões e Raias, que agora deverá transitar para o novo executivo e ser colocado para discussão com os diferentes intervenientes, para que seja rapidamente iniciada a sua implementação.
 
De recordar que esse relatório alertou que das 117 espécies que se conhecem nas nossas águas, quase metade encontra-se já ameaçada, o que, para Ana Henriques, “é um sintoma claro da sobre-exploração marinha, com repercussões no equilíbrio, produtividade, resiliência e capacidade do Oceano para mitigar os efeitos das alterações climáticas. Os tubarões e raias são muito mais importantes no Oceano do que no nosso prato. Para reverter esta situação, precisamos urgentemente de desenvolver e implementar um Plano Nacional de Ação que os proteja, tal como foi prometido pelo anterior Governo”.
 
Financiado pela Fundação Oceano Azul, este projeto insere-se no programa de capacitação de ONGs, instituído pela Fundação em 2019, cujo objetivo é contribuir para a sustentabilidade do oceano e para a adoção de políticas de conservação, capacitando a ANP|WWF no processo de evolução para uma ONG ainda mais focada na conservação do oceano.

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