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ESTUÁRIO DO TEJO CARECE DE MELHORIAS PARA POTENCIAR A PRESENÇA DE GOLFINHOS

Há ainda intensas pressões decorrentes de atividades humanas tanto nas suas margens como ao longo da sua bacia hidrográfica e muito para fazer se queremos potenciar a presença dos golfinhos no estuário. ANP|WWF recomenda a criação de uma Comissão de Acompanhamento do Estuário do Tejo.

O estuário do Tejo é o maior e mais ameaçado estuário nacional, mas apresenta nos últimos 30 anos sinais de melhoria da qualidade ambiental, aumento da abundância de algumas espécies de peixe e recuperação de alguns habitats importantes – fatores que podem favorecer a presença de golfinhos no rio Tejo, de acordo com o primeiro estudo nacional “Golfinhos no Tejo, por um estuário mais saudável”, apresentado hoje na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa. O estudo, realizado pela ANP|WWF, conta com apoio da Fundação Oceano Azul, em parceria com investigadores do MARE-ULisboa e MARE-ISPA e o financiamento da plataforma Probably Better Now, da Carlsberg, e mostra como a saúde deste ecossistema pode melhorar a sua atratividade para os golfinhos.
 
“Como sistema altamente complexo e dinâmico que é, para compreender as visitas dos golfinhos, temos de conhecer primeiro o estuário e as  várias fontes de pressão ambiental a que está sujeito. Só assim poderemos perceber que tipo de impactos e alterações estão a ocorrer devido às atividades humanas, e definir ações efetivas para minimizar esses impactos, melhorar a sua saúde e permitir que as visitas dos golfinhos continuem. Como ponto de partida recomendamos a criação de uma Comissão de Acompanhamento do Estuário do Tejo, alicerçada na Área Metropolitana de Lisboa, que inclua todos os stakeholders relevantes”, afirma Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF.

Ana Henriques, Técnica de Oceanos e Pescas, partilhou que “apesar de algumas melhorias ambientais muito ainda há a fazer pela saúde do estuário do Tejo. As medidas de conservação a aplicar devem considerar o sistema estuarino como um todo e, no caso dos golfinhos, como um conjunto de habitats dinâmicos que vão desempenhar diferentes papéis influenciando a sua presença e fornecimento de alimento. Os golfinhos ocupam um lugar no topo da cadeia alimentar e a observação destes no estuário mostra que existem condições ecológicas favoráveis à sua presença e que devem ser preservadas. No entanto, a intensa utilização do estuário do Tejo por parte de atividades humanas constitui uma ameaça para as populações de golfinhos com consequências a médio e longo prazo”.

Este é o primeiro grande relatório sobre o Estuário do Tejo e os seus golfinhos, agregando dados sobre a qualidade ambiental, comunidades de peixes, moluscos, crustáceos e aves, e principais pressões, como a poluição, tráfego marítimo e pesca. Reunindo informação de diferentes fontes, numa análise compreensiva do passado e do presente do Estuário, o relatório aponta os caminhos para a sua proteção e para a valorização da presença dos cetáceos.
 
O estuário do Tejo, sendo um dos maiores da Europa, desempenha um papel fundamental para a conservação da natureza e da biodiversidade. É zona de maternidade para muitas espécies, fonte de alimentação e porto abrigo para milhões de aves migratórias e juvenis de peixes, inclusivamente de espécies comercialmente importantes para a sobrevivência das comunidades piscatórias. Apresenta uma excepcional riqueza paisagística, elevada produtividade biológica, grande capacidade de sequestro de carbono e reciclagem de nutrientes, entre outros serviços de ecossistema tanto na área do turismo e bem-estar como outros serviços essenciais à Natureza e às pessoas desde há milénios, sendo historicamente uma área preferencial para o estabelecimento de comunidades humanas.
 
Para Ângela Morgado, “este relatório demonstra o compromisso que a ANP|WWF assume para com o estudo e proteção do Estuário do Tejo, mas a boa saúde do estuário e a sua biodiversidade dependem do envolvimento e compromisso de múltiplos stakeholders, entre os quais incluímos empresas. As empresas que dele beneficiam têm não só a responsabilidade de diminuir a pressão sobre este sistema natural, como de apoiar o desenvolvimento do conhecimento científico sobre o estuário, colaborando ativamente  para garantir a sua proteção.”

É neste contexto que a Carlsberg, ao abrigo da plataforma “Probably Better Now”, apoiou a realização deste relatório. Para Bruno Albuquerque, Diretor de Marketing, Cervejas e Patrocínios do Super Bock Group, “a Carlsberg tem pautado a sua atuação pela procura da melhoria continua propondo-se a encontrar soluções inovadoras que ajudem a mitigar o impacto da sua atividade, nomeadamente no caso do plástico que, globalmente, é um material que afeta a saúde do ecossistema costeiro. Surge assim esta parceria, por acreditarmos que a união de entidades públicas e privadas em torno de um objetivo comum permite gerar efeitos positivos na sociedade e, neste caso específico, na proteção do meio ambiente.”

Para além da Comissão de Acompanhamento do Estuário do Tejo, a ANP|WWF apresenta mais 22 recomendações para a proteção do Estuário, nas áreas da Governança, Conservação e Restauro Ecológico, Conhecimento/Investigação e Sensibilização e Educação Ambiental, sendo  a monitorização do Bom Estado Ambiental uma peça chave para melhor compreender as necessidades de conservação do estuário e, em particular, dos grupos de golfinhos que o visitam.

No relatório são ainda apresentados resultados preliminares sobre ocorrência de cetáceos no Estuário, recolhidos durante os primeiros 6 meses de funcionamento do Observatório Golfinhos no Tejo, instalado no Centro de Coordenação e Controlo de Tráfego Marítimo e Segurança do Porto de Lisboa (Torre VTS), em Algés.

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