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ANP|WWF ALERTA: ABUNDAM CONDIÇÕES PARA UMA PRÓXIMA PANDEMIA, A MENOS QUE SE TOMEM MEDIDAS URGENTES

O novo relatório da rede mundial de conservação da natureza identifica os fatores ambientais que impulsionam o aparecimento de zoonoses, lançando de novo o apelo a governantes e empresas para a necessidade de uma mudança sistémica como forma de preservar a nossa saúde.

A organização de conservação da natureza WWF (World Wide Fund for Nature), que trabalha em associação com a ANP (Associação Natureza Portugal) no nosso país, publica hoje o novo relatório “COVID-19: um apelo urgente para proteger as pessoas e a natureza”, que evidencia os fatores ambientais que impulsionam o aparecimento de zoonoses: o comércio e consumo de animais selvagens de alto-risco, a desflorestação, a expansão da agricultura extensiva e a intensificação insustentável da produção animal.
 
Nos últimos anos, inúmeros avisos vindos de cientistas e líderes de opinião, como o Fórum Económico Mundial, alertaram-nos para o risco de uma pandemia global, classificando as pandemias e doenças infeciosas como um dos maiores perigos globais há mais de uma década, representando uma “ameaça gravíssima à vida humana”.
 
Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF, afirmou: “Temos que reconhecer urgentemente a ligação entre destruição da natureza e saúde humana, ou assistiremos a uma nova pandemia em breve. Não há dúvida, e a ciência é clara; temos de trabalhar em conjunto com a natureza, e não contra ela”.
 
Para Catarina Grilo, Diretora de Conservação e Políticas da mesma associação, é urgente “restringir o comércio e o consumo de vida selvagem de alto risco, pôr fim à desflorestação e conversão de terra, assim como gerir a produção alimentar de forma sustentável. Todas estas medidas prevenirão a transmissão de agentes patogénicos para humanos e de outros riscos para a nossa sociedade, como a perda de biodiversidade e as alterações climáticas”.
 
Algumas questões permanecem quanto às origens exatas da COVID-19, mas todas as evidências disponíveis sugerem que esta seja uma zoonose, ou seja, uma doença que
 
 
 
saltou de animais para humanos. O governo chinês anunciou a proibição do consumo de animais selvagem a 24 de fevereiro, e, agora, o Congresso Nacional das Pessoas demonstrou apoio à revisão da lei existente de proteção da vida selvagem, que, se plenamente implementada, pode tornar a Lei de Proteção de Vida Selvagem da China numa das mais robustas e rigorosas.
 
No entanto, abordar o problema do comércio e consumo de vida selvagem isoladamente não será suficiente para prevenir a próxima pandemia – o atual sistema alimentar global é insustentável, e está a levar inúmeros espaços naturais a serem convertidos para fins de agricultura extensiva, fragmentando ecossistemas naturais e aumentando as interações entre a vida selvagem, animais domésticos e humanos. Desde 1990, 178 milhões de hectares de floresta desapareceram, um número equivalente ao tamanho da Líbia, o 18º maior país do mundo, e cerca de 10 milhões de hectares de floresta estão a desaparecer todos os anos devido à conversão das terras para agricultura e outros usos.
 
Outra tragédia está também a decorrer no Brasil, com o aceleramento da desflorestação devido aos cortes na lei pelo governo federal, e isto depois de um aumento de 64% na desflorestação se ter verificado em Abril comparando com o ano anterior.
 
A crise da COVID-19 demonstra que mudanças sistémicas devem ser feitas de forma a abordar os fatores ambientais das pandemias. A ANP|WWF advoga uma abordagem conjunta, que ligue a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente e apela a que esta ligação seja incluída nas tomadas de decisão referentes à vida selvagem e ao uso de terras. Deve também ser incorporado em todas as decisões financeiras e de negócio, particularmente ligadas à saúde global.
 
“No meio desta tragédia há a oportunidade de redefinir a nossa relação com a natureza e mitigar os riscos de futuras pandemias, mas um futuro melhor começa com as decisões que os governos, as empresas e as pessoas tomam hoje”, partilhou Ângela Morgado, reforçando que “os líderes mundiais devem agir urgentemente para transformar a nossa relação com o mundo natural. Precisamos de um Novo Acordo Para a Natureza e as Pessoas que inclua a natureza no caminho da recuperação até 2030 e salvaguarde a saúde humana e os meios de subsistência a longo prazo.”
 
A ANP|WWF destaca a Cimeira das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, agendada para setembro de 2020, como um momento chave para os líderes mundiais acelerarem a ação em relação à natureza antes das decisões críticas sobre o ambiente, o clima e o desenvolvimento que serão tomadas em 2021. No seu conjunto, e embora nem sempre possamos prever e prevenir estas doenças, estas decisões representam uma oportunidade imperdível para transformar a nossa relação com a natureza e assegurar um futuro sustentável para as pessoas e o planeta.