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Apenas um terço dos rios mais longos do mundo continuam a fluir livremente

Lisboa, 8 de maio de 2019 - Apenas um terço (37%) dos 246 rios mais longos do mundo continuam a fluir livremente, de acordo com um novo estudo que será publicado amanhã na revista científica Nature. Barragens e albufeiras estão a reduzir drasticamente os diversos benefícios que os rios saudáveis proporcionam às pessoas e à natureza em todo o mundo.

A primeira avaliação global sobre a localização e extensão dos rios de livre curso que restam no planeta destaca a sua degradação severa e oferece um método para monitorizar o seu estado ao longo do tempo.
 
Apenas um terço (37%) dos 246 rios mais longos do mundo continuam a fluir livremente, de acordo com um novo estudo que será publicado amanhã na revista científica Nature. Barragens e albufeiras estão a reduzir drasticamente os diversos benefícios que os rios saudáveis ​​proporcionam às pessoas e à natureza em todo o mundo.
 
Uma equipa de 34 investigadores internacionais da McGill University, da WWF e doutras instituições [i] avaliou a rede de 12 milhões de quilómetros de rios em todo o mundo, naquela que foi a primeira avaliação global da localização e extensão dos rios livres remanescentes no planeta [ii].
 
Entre outras descobertas, no relatório "Um mapa dos rios livres do mundo", os investigadores determinaram que apenas 21 dos 91 rios do mundo com mais de 1.000 km ainda mantêm uma ligação direta da nascente até o mar. Os rios que permanecem em curso livre estão restritos, na maioria dos casos, a regiões remotas do Ártico, da Bacia Amazónica e da Bacia do Congo.
 
Barragens e albufeiras são os principais contribuintes para a perda de conetividade em rios globais. O estudo estima que existam cerca de 60.000 grandes barragens (com paredes maiores do que 15 metros) em todo o mundo, e mais de 3.700 barragens hidroelétricas estão presentemente a ser planeadas ou em construção. Maioritariamente estas barragens são implementadas individualmente, dificultando a avaliação dos seus impactos reais em toda a bacia ou região.
 
“Este primeiro mapa permite-nos priorizar e proteger os rios de livre curso que restam no mundo, pois estes são linhas de vida para a vida selvagem e para as pessoas", disse Michele Thieme, cientista na área de Água Doce da WWF e coautor do artigo. “Os rios oferecem diversos benefícios que são frequentemente negligenciados e desvalorizados. Os decisores devem considerar o valor total dos rios quando planeiam novas infraestruturas”.
 
Rios saudáveis ​​são abrigo e fonte de alimento para as populações de peixes de água doce, que por sua vez asseguram a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo; fornecem sedimentos que mantêm deltas acima do nível dos mares; mitigam o impacto de inundações e secas extremas; evitam a perda de infraestruturas e campos agrícolas; e sustentam uma grande parte da biodiversidade mundial. Interromper o curso de um rio diminui ou até mesmo elimina estes serviços que os ecossistemas nos fornecem, e que são críticos à nossa própria sobrevivência.
 
Proteger os rios que correm livremente é crucial para salvar a biodiversidade nos sistemas de água doce. O Relatório Planeta Vivo 2018 da WWF revelou recentemente que as populações de espécies de água doce sofreram o declínio mais pronunciado de todos os vertebrados nos últimos 50 anos, caindo em média 83% desde 1970. Esta semana, o Relatório de Avaliação Global do IPBES sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema destacou as ameaças que os ecossistemas de água doce enfrentam, e pediu a proteção e restauro dos rios de livre curso.
 
À medida que os países transitam para economias de baixo carbono, o planeamento e o desenvolvimento de barragens hidroelétricas estão a acelerar, acrescendo urgência à necessidade de desenvolver sistemas de energia que minimizem o impacto ambiental e social geral. “Embora a energia hidroelétrica tenha inevitavelmente um papel a desempenhar no cenário das energias renováveis, os países devem considerar opções renováveis como o vento e o sol, que bem planeados podem ter menos impactos prejudiciais nos rios, nas comunidades, nas cidades e na biodiversidade”, disse Thieme.
 
2020 oferece assim uma oportunidade imperdível para os líderes mundiais protegerem e restaurarem os rios de livre curso como parte de um Novo Acordo para a Natureza e as Pessoas - um acordo global que visa deter e reverter a perda da natureza e proteger o nosso planeta.
 
Contacto: Rita Rodrigues – ANP|WWF | Tel: +351 962911072 | rrodrigues@natureza-portugal.org
 
A river inside Salonga National Park