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O Mediterrâneo Arde

© WWF Turkey

Em 2019, e no seguimento do trabalho em 2017 e 2018 realizado na sensibilização para a prevenção de incêndios rurais, lançamos o primeiro relatório mediterrânico sobre incêndios florestais, uma emergência ambiental e social que afeta todos os países que compõem a bacia do Mediterrâneo. 

 "Arde o Mediterrâneo: as propostas mediterrâneas da WWF para a prevenção de incêndios florestais" é um relatório completo que vai desde a análise do problema até à proposta de soluções contra incêndios florestais.

LÊ O RELATÓRIO

O MEDITERRÂNEO ARDE:

Todos os anos, Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia representam mais de 80% da área total ardida no continente europeu. 

Em média, 375.000 hectares de floresta ardem por ano na região do Mediterrâneo, em mais de 56.000 incidentes.

A mão humana está por trás de 96% dos incêndios, de forma negligente ou intencional.

Portugal é o primeiro país com clima mediterrânico no que diz respeito a número de incêndios e a área ardida (com mais de 22.600 incidentes em média). Espanha ocupa o segundo lugar.

Os incêndios florestais causaram o terrível número de 488 mortes desde o ano 2000. Entre Portugal, Espanha e Grécia, em apenas dois anos contabilizaram-se 225 episódios fatais devido ao fogo. Estamos perante de uma ameaça civil, não apenas ambiental ou económica.

A luta contra os incêndios no Mediterrâneo dispende dois mil milhões de euros todos os anos. Em média, 80% estão destinados à extinção (+1.500 milhões), contra apenas 20% (385 milhões) para a prevenção.

O QUE PODEMOS FAZER?


- Planear e prevenir: a extinção é uma resposta de curto prazo, não uma solução de longo prazo.

- É necessário investir no desenvolvimento rural (já que o abandono das áreas rurais significa o abandono da silvicultura e o uso tradicional da terra). O abandono é uma das principais causas para a nossa paisagem ser tão inflamável.

- Precisamos redesenhar a paisagem para torná-la mais resistente ao fogo, ou seja, que os nossos campos e montanhas voltem a ser paisagens mistas com vegetação de diferentes tipos.

- Este é um problema que afeta toda a Europa e, portanto, devemos ter uma política comunitária para florestas que dedique recursos económicos à procura de soluções. No entanto, o que temos é que a Política Agrícola Comum (PAC) investe apenas 15% nas nossas florestas.

- Prioritizar: Devemos identificar as Zonas de Alto Risco de Incêndio (ZARIS), bem como as plantações florestais que são perigosas (como plantações de eucalipto abandonadas).

- É urgente acabar com a impunidade, e perseguir e punir os incendiários. Embora a percentagem de ignição intencional não seja muito grande, é verdade que um endurecimento das sentenças reduziria sua incidência.

- Devemos conhecer as causas. Em Portugal, 56% dos incêndios têm origem desconhecida. Sem saber a origem, não é possível encontrar soluções.

- E, finalmente, é urgente travar as alterações climáticas, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa com a transição para uma economia mais verde.

© ANP|WWF

Os “Fósforos para a Floresta” são uma edição de 10 caixas com paus de fósforo artesanais e com um tratamento que as impede de arder, criadas a partir de um tronco de pinheiro da zona do Pinhal de Leiria, histórica zona florestal que ardeu quase na totalidade em outubro de 2017.
 
Com o intuito de chamar a atenção para os dados do Relatório “O Mediterrâneo Arde”, estes fósforos foram colocados a leilão, servindo como forma de angariação de fundos para a continuação do trabalho da ANP|WWF no restauro florestal pós-incêndio e prevenção de novos incêndios através de boas práticas na gestão florestal, como o projeto Green Heart of Cork.