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Proteção do lobo ibérico: 9 organizações portuguesas pedem ao governo espanhol que aproveite esta oportunidade única de proteger o lobo

26 de fevereiro de 2021, Lisboa - Termina hoje o prazo para a consulta pública prévia para inclusão do lobo na Lista de Espécies Selvagens em Regime de Proteção Especial (LESRPE) iniciada pelo Ministério para a Transição Ecológica e Desafio Demográfico (MITECO de Espanha), na sequência do parecer favorável do comité científico para a referida inclusão, e do voto favorável na reunião da Comissão Estadual de Património Natural e Biodiversidade. Tratando-se de uma espécie que habita território ibérico, 9 organizações portuguesas juntaram-se para enviar ao MITECO uma carta de contributo a esta consulta pública.

A carta pretende responder a esta consulta apoiando esta decisão do Governo espanhol e pedindo a este governo e à sociedade espanhola que aproveitem esta oportunidade única para proteger o lobo e para melhorar o seu estado de conservação, aliás, como é requerido pela Diretiva Habitats da União Europeia - e também para simultaneamente valorizar e apoiar a pecuária extensiva. 
 
É fundamental construir um novo modelo de gestão do lobo que se baseie no respeito pela espécie e na convivência com outros setores.
 
Ao todo são 8 representantes portugueses, alguns deles com projetos ativos diretamente ligados à espécie Lobo Ibérico - ANP|WWF, ATN, FAPAS, GEOTA, PALOMBAR, Quercus, Reserva Faia Brava, Rewilding Portugal e SPEA - que se juntam para solicitar ao governo espanhol que faça deste um momento histórico para valorizar a proteção do lobo e da pecuária extensiva.
 
 
Na referida carta os pontos principais são: 
 
  1. Problemas a serem resolvidos com o novo padrão:
- Situação descoordenada e incoerente na conservação e gestão do lobo;
- A falta de conservação e gestão abrangentes com o foco na coexistência;
- Estado de conservação desfavorável;
- Provas de que a abordagem de gestão atual não funcionou;
 
  1. Necessidade e tempo de aprovação: 
- O lobo é uma espécie chave para os ecossistemas;
- Consideração de uma única população ibérica de lobo a ser conservada como tal;
- Adotar o critério da Comissão Europeia e obrigações derivadas na abordagem baseada na coexistência;
- Melhoria da situação da população de lobos.
 
Especialmente importante para estas ONGAs portuguesas é o facto de se tratar de uma única população ibérica que deve ser gerida como tal. De outra forma, os esforços de conservação desenvolvidos do lado português não fazem sentido. Se esta espécie continuar a ser caçada em Espanha, não gozando de um estatuto de proteção semelhante nos dois lados da fronteira, a coordenação entre países para trabalhar para que o estado de conservação do lobo ibérico seja favorável é menos eficaz, algo que a própria Comissão Europeia já questionou.
 
Todos consideram este passo essencial para garantir a conservação da espécie e cumprir os regulamentos europeus, preconizando uma estratégia ibérica de gestão do lobo que se baseie na convivência com a espécie e, paralelamente, na implementação de uma estratégia alinhada com o sector pecuário. 
 
Neste sentido, a WWF em Espanha desenvolveu ainda uma campanha “Eu defendo o lobo”, que já conta com cerca de 30.000 adesões, para pedir o fim da sua perseguição à espécie, o reconhecimento jurídico que merece, a aprovação de planos para a sua conservação e recuperação, bem como como um forte compromisso na sua convivência com a pecuária extensiva e o mundo rural.
 
 
 
Notas para editores:
- O Ministério da Transição Ecológica e Desafio Demográfico Espanhol iniciou o procedimento para inclusão do lobo na lista de espécies protegidas (LESRPE), após pressão de ONGAs ligadas à proteção ao lobo, de um veredicto do Comité Científico e maioria de votos a favor na Comissão Estadual de Patrimônio Natural e Biodiversidade.
- Até agora o lobo estava protegido a sul do rio Douro, mas não a norte.
- O Comité Científico declarou que o lobo devia ser incluído na lista pelos seus valores culturais, científicos e também pelos serviços que presta ao ecossistema.
- Todos os lobos da Península Ibérica devem ser considerados parte de uma única e mesma população (o que significa que a sua gestão não pode ser regional).
- Mais de 300 cientistas espanhóis apoiaram a decisão, ver aqui o PR da WWF ES.
- A Comissão Europeia alertou (em outubro de 2020) que o lobo em Espanha está em ESTADO DE CONSERVAÇÃO DESFAVORÁVEL (ver link CE e WWF ES PR). A Diretiva Habitats diz que todos os Estados-Membros devem garantir que todas as espécies estejam em Estado de Conservação Favorável.
- O lobo está protegido em Portugal. O estado de conservação e as tendências populacionais são cumpridas nos requisitos da Diretiva Habitat, mas acabam por depender, por se tratar da mesma população, da gestão do lado espanhol.
 
Carta aberta de apoio ao parecer do Comité Científico e à inclusão do Lobo Ibérico na Lista de Espécies Selvagens em Regime de Proteção Especial (WWF ES): https://www.wwf.es/nuestro_trabajo/especies_y_habitats/lobo_iberico/carta_abierta_por_la_proteccion_del_lobo_iberico__la_ciencia_y_la_coexistencia_/?fbclid=IwAR07zvPynGThuqJK4k3FN08TLF5ZJG1_1nz36Q8UWMOFl6ceT4rLCmziUHI
Protecting large carnivores and their habitats is a key element of WWF’s New Deal for Nature and People, and its goal to halt and reverse biodiversity and habitat loss by 2030.

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